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IBRAPP marca presença no 8º Fórum Mundial da Água

Sexta, 23 Março 2018 09:16

Realizado pela primeira vez na América Latina, a 8ª edição do Fórum Mundial da Água (8th World Water Forum) ocorre em Brasília, do dia 18 ao dia 23 de março, nos espaços do Estádio Mané Garrincha e Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Organizado pelo Conselho Mundial da Água, órgão de nível internacional, o evento atende representantes e cidadãos de diversos países do mundo para debates, sessões e apresentação de ideias inovadoras sobre o tema. O Instituto Brasileiro de Políticas Públicas – IBRAPP esteve presente para conferir as soluções e diálogos sobre o tema.


A crise hídrica vivida em inúmeras localidades do Brasil, o racionamento instituído no Distrito Federal e a seca que assola a região nordeste do país, tornam propício o momento para a discussão sobre a água. O Fórum compreende quatro espaços, que integram desde pessoas, instituições e empresas pagantes, até a população com acesso gratuito para conhecimento sobre consumo consciente e outros temas que levam a preservação deste recurso.

A Vila Cidadã, espaço aberto ao público, possuiu uma programação recheada de rodas de conversas, stands, equipamentos interativos, atrações artísticas e workshops voltados para a conscientização da população em relação à importância da água. O IBRAPP conversou com representantes de algumas instituições e acompanhou a abertura do curso online gratuito “Soluções locais para a água diante dos desafios globais”, oferecido pela ONG Educação Gaia. O curso, assim como outras atividades do Fórum, visa informar sobre a importância do reuso e da diminuição no desperdício de água, assunto abordado continuamente no evento.

 A técnica em qualidade da água da Agência Nacional de Águas (ANA), Ana Paula Montenegro, explicou que por questões culturais, os brasileiros não percebem que a água é um recurso finito.“O povo brasileiro tem uma política de abundância, por achar que temos água suficiente, portanto não precisamos reutiliza-la”, explicou a técnica. Mas este pensamento tem mudado em consequência dos problemas enfrentados recentemente com os recursos hídricos.Dados do Fundo das Nações Unidas Para a Infância (Unicef) revelam que cerca de 700 crianças morrer por dia em virtude da má qualidade da água, ou contaminação dos reservatórios disponíveis. 

De acordo com Ana Montenegro, no Brasil, a situação se dá principalmente por conta do saneamento. “O grande vilão da qualidade da água no Brasil é o esgoto não tratado”, ressaltou Montenegro.   A técnica citou ainda que grandes instituições do Brasil estão tomando atitudes conscientes em relação ao reuso e desperdício desse recurso, e que há um despertar nas pessoas em relação não só a quantidade de água disponível, mas também em sua qualidade.

  Crises hídricas

O problema da escassez de água no Brasil foi amplamente debatido no Fórum e nos estandes da Vila Cidadã abertos ao público. Em relação a soluções locais para as crises hídricas o Coordenador de Recursos Hídricos do estado de São Paulo, Rui Brasil, esclareceu que em sua concepção “a água precisa estar na agenda política” e que os gestores públicos precisam buscar soluções para questões que englobam, antes de tudo, a saúde pública e qualidade de vida, tal como o tratamento de esgoto, por exemplo. 

Segundo o coordenador, as crises costumam ser locais e é papel da população, buscar soluções com os gestores em demonstração de i

nteresse ao funcionamento da questão hídrica na região. “A água é a maior propulsora do desenvolvimento. No lugar que não tem água, não tem desenvolvimento” completou Rui Brasil.

Com a presença de uma sociedade mais ligada ao consumo, o coordenador relembra a necessidade de buscar moderação, sobretudo no uso da água, sendo esse um uso racional.  “Se temos água ruim, temos que recuperá-la, se temos água boa, precisamos preservá-la” enfatizou. O bom uso da água proporciona benefícios diretos à população, como exemplificado por Rui: “Quando uma região deixa de construir um barramento para regularizar vasões, em que se é gastado milhões de reais, esses investimentos são postergados e podem ser usados em outras áreas”. O coordenador comentou que projetos realizados pelos Comitês para os momentos de crise antes das mesmas acontecerem, dão ao Estado e a população maior resiliência para enfrentar problemas, como a escassez.

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